Dois sentimentos e um dilema

Sabe quando você tá mal e tudo que precisa é de alguém? Mas ao mesmo tempo tudo que quer é ficar sozinho?

Pois é. Tenho vivido cada vez mais com esse dilema. Ao mesmo tempo que preciso de uma companhia, essa vontade de solidão tá sempre ali por perto, barrando qualquer interação que eu pense em ter com o mundo.

E no meio dessas vontades opostas, eu vou tentando me manter de pé, fingindo que o tormento dentro de mim nada mais é que uma tempestade passageira.

Mas ela não passa. Quando penso que a calmaria está finalmente vindo, os raios e trovões voltam.

Com o tempo aprendi a conviver com essa inquietação. Aprendi até mesmo a disfarçar quando me perguntavam se eu estava bem. E até hoje eu disfarço perfeitamente. Enquanto estou gritando por dentro, por fora ninguém nota meu desespero.

Mas tudo que eu queria era que notassem.

Antes eu ainda deixava algumas pistas pra determinadas pessoas. Pessoas que eu achava que podiam se importar. Eram sinais muitas vezes discretos, apesar de em momentos de maior desespero, eu ter dado sinais tão claros quanto a luz do dia. Acontece que em nenhuma dessas situações eu tive um retorno. Ou quando tive, era algo tão superficial, quase uma obrigação, que minha esperança de enfim ter encontrado um apoio terminava em frustração.

E de tanto me frustrar, me calei.

Passei a guardar o que eu sentia. Abaixar a cabeça quando uma lágrima insistia em cair. Forçar um sorriso ou uma risada quando eu só queria chorar.

E tem funcionado.

A verdade é que ninguém dará tanto valor aos seus problemas ou aos seus medos como você mesmo. E é preciso aceitar isso. Por mais que doa.

E dói bastante.

Só quem já precisou de um abraço e não teve, sabe como dói.

Sabe aquela frase “sozinho no meio da multidão”? É exatamente assim.

E essa é a pior sensação que se pode ter.

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