Como nascem os monstros: Não há inocentes

Como nascem os monstros

Foto retirada do blog Eu li e achei isso.

Autor: Rodrigo Nogueira
Editora: Topbooks
Páginas
605

 Execuções, assassinatos, roubos, furtos, violência, impunidade…

A resenha de hoje é sobre um romance não ficcional escrito por um ex-PM. Um livro impactante, forte e, sem sombra de dúvidas, violento. Misturando histórias reais com ficção, Como Nascem os Monstros é um relato sobre o dia a dia na Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a PMERJ.

“…Ao ingressar na corporação, ninguém acredita que um dia vai sequestrar alguém, roubar seu dinheiro, matar pessoa e atear fogo ao corpo.”

Com uma escrita fluente e realista, o livro conta a história do Soldado Rafael, recém-admitido na corporação. Idealista, honesto e sonhador, o jovem entra para a PM com o intuito de ser um bom soldado e defender a sociedade acima de tudo. Infelizmente, com o passar dos dias, ele vai percebendo que não é bem assim que as coisas funcionam dentro da corporação. Sem papas na língua, o autor mostra abertamente o quão suja é a vida dentro da PM.

Rafael descreve, nos mínimos detalhes, a metamorfose que sofreu até se transformar em um monstro: O primeiro homicídio, a primeira extorsão, o primeiro roubo, o primeiro sequestro… A culpa, os pesadelos e o gosto pelo perigo também são apresentados fielmente ao leitor.

A história se passa, na maior parte, no bairro da Tijuca. Se você conhece nem que seja um pouco a área Tijucana, vai sentir uma familiaridade enorme com os fatos.

“O estado do Rio de Janeiro está falido e entregue nas mãos dos homens que sugam o quanto podem da sociedade, mascarando sua real intenção, que é a de sempre se dar bem. Neste momento, o estado vive uma esperança de melhora, com a criação das UPPs, mas é só aguardar para ver que a coisa não vai mudar.”

O livro foi publicado em 2013, antes dos grandes eventos, e o policial já previa que as UPPs seriam apenas maquiagem. Se um soldado percebeu, como podemos acreditar que os estudiosos da segurança pública não esperavam por isso?

Ex-Militar e defensor da desmilitarização da PM, o autor não reluta ao afirmar que “A instituição PMERJ está doente, doente de verdade, viciada, agonizante, e entende aos seus componentes todas as dores resultantes da moléstia.” 

Com citações de filósofos e até de filmes, Rafael – ou Rodrigo –  tenta o tempo inteiro fazer o leitor perceber que o maior – eu disse maior, não único – culpado de tudo que acontece de ruim na sociedade é o Estado.

O livro não é um ataque e nem uma defesa, é um retrato da realidade. Abra a sua mente, leia e tire suas próprias conclusões. O que podemos adiantar é que, depois disso, você nunca mais vai olhar para a PM com os mesmos olhos. 

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