Cultura GeekGames e Tecnologia

E-Sports: entrevista com Rodrigo Kröber, jogador profissional de Overwatch

O e-Sports já é uma realidade. Cada vez mais o esporte eletrônico vem mostrando a que veio, com equipes profissionais, prêmios milionários e fãs apaixonados. Empresas de todo mundo – e times de futebol também – tem voltado suas atenções para essa nova modalidade, que já conquistou patrocinadores de peso como Vivo, Kabum!, BenQ, Visa, entre outros.

Atualmente, os títulos mais populares em competições profissionais são League of legends, DotA 2, StarCraft II e Counter-Strike: Global Offensive. Porém, nos últimos dois anos, um outro jogo eletrônico vem ganhando espaço: o Overwatch. Desenvolvido pela Blizzard Entertainment, o jogo está disponível para as plataformas  PlayStation 4, Xbox One e Microsoft Windows.

O Brasil possui desde o ano passado, algumas competições de Overwatch, além de ter participado do campeonato mundial. Apesar de em 2016 a seleção não ter ido nada bem, esse ano a expectativa é bem diferente. A seleção que vai para Copa do Mundo de 2017, é formada por todo o elenco da Brasil Gaming House, campeã da Brasil Game Cup Rio, em abril. A equipe está no Grupo G, junto com Estados Unidos, Taiwan e Nova Zelândia. A competição começa no dia 11 de agosto, nos Estados Unidos e as finais serão entre 3 e 4 de novembro, durante a Blizzcon – feira anual da Blizzard.

Diferente de outros jogos, como o League of legends, a Copa do Mundo de Overwatch não é disputada pelos melhores times de cada local. A organização é mais ou menos parecida com o futebol, onde são escolhidos os melhores jogadores e é formada uma seleção, que representará o seu país. Ano passado, essa escolha foi feita por voto popular, mas em 2017 foi criado um comitê especial para definir quem iria pra competição.

O DDV teve o prazer de conversar com Rodrigo Kröber, um dos jogadores que irão representar o Brasil no mundial desse ano. No bate papo, falamos sobre a vida pessoal, a expansão dos e-sports, o mundial e a mudança na escolha da seleção.  Confira:

Integrantes da BGH representarão o Brasil na Copa Mundial de Overwatch (Facebook/BGH)

Quando e como você começou a jogar Overwatch e como se tornou um jogador profissional?
Comecei a jogar Overwatch desde o lançamento do jogo. Amo videogames desde que me entendo por gente, sempre fui muito competitivo em todos os jogos que joguei e sempre tentando dar o meu melhor. Já joguei Dota, LOL, CS e Team Fortress 2, sendo que nesse último joguei competitivamente por 5 anos mais ou menos.

Você imaginava que um dia faria parte de um time e que iria disputar um campeonato mundial? Tá ansioso? E qual a sua expectativa?
Nunca imaginei que chegaria nesse ponto e é sem dúvidas uma honra estar representando meu país. Não tem como não estar ansioso, todo dia que passa a ansiedade só aumenta e só quero que o tempo passe depressa e a grande hora chegue. Estou bem confiante que conseguiremos fazer uma boa campanha nessa copa do mundo.

Há outro integrante da família Kröber que também é jogador (e do seu time! rs). Quem começou a jogar primeiro? Como é a relação de vocês?
Acho que nós dois sempre fomos muito vidrados em jogar vídeo games e creio que começamos a jogar todo tipo de jogo na mesma faixa de idade. Nossa relação é de muita amizade, nada melhor do que jogar com um membro da sua família ao seu lado.

Você joga outros jogos? Acompanha outros campeonatos?
Atualmente não tenho jogado nenhum outro jogo além de Overwatch. Acompanho sempre o cenário competitivo de CS:GO e de vez em quando dou uma olhada em algumas partidas de League of Legends.

O que sua família e seus amigos acham de você ser um jogador profissional?
No início achavam meio estranho, mas quando a coisa foi tomando uma proporção maior, começaram a enxergar com outros olhos e atualmente todos me apoiam muito e acompanham meus jogos.

Como você vê essa expansão dos e-Sports? Hoje em dia os campeonatos pagam um prêmio quase milionário aos vencedores, além dos jogadores serem considerados “heróis” e terem fãs apaixonados por todo o mundo. Você acredita que um dia os jogos online serão tão “importantes” quanto os esportes tradicionais?
Eu acredito que futuramente o e-Sports irá crescer e se tornará o esporte do futuro. Antigamente ninguém dava nada para “joguinhos” de computador e hoje em dia empresas gigantescas e times bilionários, tanto de futebol quanto de outros esportes, estão começando a investir nesse meio e acredito que isso é uma ótima perspectiva para o futuro do e-sports.

Overwatch é um jogo extremamente novo mas que ganha mais fãs a cada dia. Você acredita que um dia ele será tão forte no cenário competitivo, como o CS e o LOL, por exemplo?
Acredito que sim, a Blizzard já deixou bem claro que Overwatch será a aposta da empresa para o mundo do E-Sports e eu costumo dizer que Overwatch é uma mistura de MOBA com FPS, trazendo um estilo de jogo completamente novo e inovador. Acho que isso futuramente terá um impacto bem positivo.

Overwatch é um jogo pago, correto? Você acredita que isso dificulta a expansão do esporte no país?
Eu acredito que não, porém eu acho que o jogo deveria ter um preço um pouco mais acessível pois está um pouco acima do que a gente costuma ver por aí.

Ano passado a seleção brasileira foi pro mundial, mas não ganhou nenhum jogo. Qual sua expectiva pra esse ano?
Esse ano estamos levando pro mundial um time completo de jogadores profissionais, a Brasil GamingHouse, time ao qual faço parte. A minha expectativa é que consigamos passar da fase de grupos e ir para as fases finais na Blizzcon desse ano, onde quem sabe até onde podemos ir e mostrar pro mundo do que somos capazes.

No grupo desse ano, temos USA, Nova Zelândia e Taiwan. Qual a seleção mais forte do grupo, na sua opinião?
Para mim o jogo mais difícil será contra Taiwan, pois eles estão levando um time fechado que nem o nosso. Será basicamente Brasil GamingHouse x Flash Wolves. Eu costumo dizer que time fechado me preocupa mais pelo fato da sinergia e do teamplay que os players já tem entre si e no Overwatch esse fator conta muito.

Quem você acha que ganhará o mundial? Não vale dizer o Brasil, haha.
Eu aposto na Coréia do Sul, que sem dúvidas é o time favorito pra essa copa do mundo.

No Overwatch, o campeonato mundial é formado por seleções, formada pelos melhores jogadores de cada país. Ano passado, a seleção foi escolhida por voto popular, mas em 2017 foi formado um comitê. O que você achou da mudança?
Eu achei ótima, porque mostra que agora é um campeonato sério, onde os países estão preocupados em levar as suas melhores opções para competir com o resto do mundo.

Você acha que o fato do treinador do seu time estar no comitê, foi decisivo na escolha do time inteiro para formar a seleção?
Creio que não, os outros integrantes do comitê disseram que foi bem fácil escolher a seleção pois tinham um pensamento semelhante. Nosso time está invicto há praticamente um ano e perdemos apenas um mapa em todo esse tempo. Creio que o objetivo do comitê era levar o time mais preparado, se puxarmos as estatísticas não restam dúvidas.

A seleção brasileira desse ano é composta pelos DPSs Eduardo “Dudu” Macedo e Murillo “Murizzz” Tuchtenhagen, pelo flex Felipe “Liko” Lebrao, pelo tanque Mateus “Neil” Kröber, e pelos suportes Renan “Alemao” Moretto e Rodrigo “Krk” Kröber.

O Donas da Verdade deseja toda sorte e sucesso para a seleção brasileira de Overwatch na Copa do Mundo!

Comentários