Bola em Jogo

Os dois lados de um clássico

O Fla x Flu é um clássico pra ninguém botar defeito. Ele representa o futebol carioca com força e estilo e mexe com os corações dos torcedores. As duas torcidas sempre fazem bonito e a mistura de cores deixa qualquer um no estádio – e fora dele – de boca aberta. Se você é torcedor, não tem como ficar calmo em um dia de Flamengo x Fluminense. A expectativa é sempre grande dos dois lados e a promessa de um jogo eletrizante torna tudo ainda mais intenso. Mas o que se passa na cabeça desses torcedores tão apaixonados? É o que vamos descobrir!

Por Sayonara Dias – Tricolor

Acordei nervosa, como sempre acordo em dia de FlaxFLu. Independentemente da competição ou da importância da partida, o Pai VS Filho sempre perturba o meu emocional. Ainda mais hoje, que o que está em jogo é o titulo do campeonato carioca de 2017. Não estou muito confiante, mas é meu dever acreditar. Nas ruas eu vejo flamenguistas rindo e usando faixas de campeão. Oras, o campeonato nem acabou e eles já acreditam que o título vai para a Gávea.

Vou para a casa de um amigo botafoguense e me sento de frente para a TV. Ao meu lado está meu namorado flamenguista – que azar – e seus amigos, também flamenguistas.  Eles estão rindo, conversando, mas eu não consigo participar. Minha mente está viajando para o que pode acontecer nos próximos 90 minutos.

Começa a transmissão. Ouço a torcida do Fluminense e sou tomada por amor. Sinto raiva por estar em casa. O jogo começa e para minha surpresa o FLU faz um gol aos 3 minutos, jogando a vantagem do Flamengo fora. Grito muito e sinto a esperança aflorar dentro de mim. Meus olhos correm vasculhando o gramado e acompanhando cada lance, enquanto os flamenguistas ao meu lado começam a reclamar dos seus jogadores. Eu não consigo expressar nada mais que um “vai” ou um “corre, filho da put#”. Respiro fundo e, mais uma vez, me culpo por não estar no estádio.

Acaba o primeiro tempo, começa o segundo e nenhuma mudança no placar. Quando acho que tudo vai ser resolvido nos pênaltis, gol deles. Os flamenguistas ao meu lado explodem. Eu levanto e surto. Jogo o copo longe, xingo o Cava, o juiz e qualquer pessoa que se aproxime de mim.  Para piorar o que já era ruim, nosso goleiro é expulso e não temos mais substituições. Revolto-me ainda mais. Saio de perto da TV, soco o vento e grito descontroladamente. Ouço ao fundo outro gol dos caras. Desisto e começo a rezar para acabar logo.

E acaba.

As pessoas voam pra perto de mim. Me abraçam, me zoam, me chamam de vice. Eu respiro, xingo o Cavalieri e xingo as substituições. Pergunto aos flamenguistas se eles colocaram uma foto do Renato Chaves e do Cavalieri na faixa de campeão, mas eles ficam com raiva e nem me respondem. Me afasto de todo mundo para sentir a raiva em paz, mas meu namorado se aproxima com um sorriso orgulhoso no rosto. Reviro os olhos e o deixo falando sozinho. Volto para perto da TV e a desligo. Os urubus reclamam. Lembro da falta que o juiz não deu, mas percebo que não vale a pena falar nada. Respiro fundo, lembro que foi só a primeira final do ano, a menos importante.

Penso no Fluminense e na festa que foi feita para ele. Penso em como chegamos até ali, em como demos a volta por cima depois de um ano complicado.

Sou invadida por um orgulho tremendo.

Vou para a casa triste pela derrota, mas feliz pelo campeonato e pela torcida da qual faço parte, afinal não é qualquer uma que consegue ser ouvida mesmo estando em menor número. Mais uma vez o Fluminense me ensinou que o sentimento é maior que o placar – e que qualquer outra coisa.

Por Mari Oliveira – Flamenguista

Hoje é dia de decisão. Apesar de o Flamengo entrar em campo com vantagem, já sei que irei sofrer.  Até porque, que graça teria um clássico que definirá o campeão carioca se não  tivesse umas unhas roídas, não é mesmo? Saio de casa e já noto um clima diferente. Acho legal essa coisa de todo mundo usar a camisa do seu time, não importa pra onde vai. Pode até ir assistir o jogo na casa da sogra, mas vai de camisa, representando todo o seu amor por aquele time do coração. Vejo tricolores e flamenguistas andando por aí no maior orgulho. E mais tarde, um deles terminará o domingo gritando “É campeão!” e terá um sorriso estampado no rosto.

Cheguei no “Bar do Gaúcho” e apesar dele ser colorado, grande parte do seu bar hoje veste o manto preto e vermelho. O local está lotado e logo o jogo começa. E já começa meu desespero. Fluminense faz um gol aos 3 minutos do primeiro tempo. Como assim? Como jogamos no lixo nossa vantagem do jogo anterior? Os poucos tricolores no local festejam enquanto os rubro-negros ficam quietos.

O primeiro tempo termina e nada muda. O segundo tempo será decisivo. Não tenho mais unhas pra roer e estou nervosa. Chega aos 40 minutos e finalmente o gol sai. O bar grita, o pessoal do bairro grita, um carro passa buzinando. E o cheiro da vitória fica mais forte. Mais ainda faltam alguns minutos pro fim e parece que eles viraram horas. Não passa. O goleiro do Fluminense é expulso. Agora vai! Não tem mais como perder. Tento relaxar, mas não consigo ficar parada na cadeira. Últimos lances e mais um gol do Flamengo.

Acabou.

Finalmente acabou. Pessoal grita, canta e o clima é incrível. O jogo termina e somos campeões. Orgulho de ser flamenguista. Orgulho de fazer parte dessa torcida maravilhosa e elogiada até pelo rivais. E realmente, “eu teria um desgosto profundo, se faltasse um Flamengo no mundo.” Bom que não falta.

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