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#AmanhãVaiSerQuem

Acordo para ir ao trabalho e preciso escolher entre o trem atrasado, o ônibus precário e o metrô lotado.

Respiro fundo e tento não me estressar.

Mas é difícil, porque a cada novo dia em que saio de casa, sei da chance de tudo que já é ruim, piorar.

Já no noticiário da manhã, vejo um cenário de guerra: na manifestação, no asfalto, na favela.

Polícia contra civil, polícia contra bandido, bandido contra bandido. São conflitos atrás de conflitos.

O morador não pode sair e/ou voltar para casa, o comerciante não pode abrir seu estabelecimento.

Por quê? A bala tá comendo lá. Mais um dia normal na realidade infernal.

A criança está na escola, mas não consegue estudar.

Está rolando mais um tiroteio, a escola vai fechar.

Se tem aula amanhã? Ninguém sabe dizer, depende se o tiroteio vai cessar ou vai render.

O direito de ir e vir parece até inexistente, porque se vamos ou não, quem decide não é mais a gente.

A favela está de luto, mais um morreu.

Quem matou? Ninguém sabe dizer, é tanto assassinato sem resultado que aos poucos as pessoas vão desistindo de saber.

A bala perdida não tem dono, mas sempre acha um inocente.

Aqui no Rio de Janeiro parece que o governo se esqueceu da gente.

De um lado o político rico, com seu carrão importado. Do outro, o pai de família desesperado, desempregado.

A lava jato pega mais um milionário, mas apesar de todos os roubos comprovados, eles não sofrem como os outros presidiários.

Os heróis, que deveriam proteger e servir, estão fechando com quem nos fere.

Como se toda a violência não fosse o suficiente, ainda tem o descaso: O hospital e a UPA, se não estão lotados, estão abandonados.

Assalto, abandono, furto, roubo, morte… É tanta coisa ruim que sobreviver parece sorte.

#AmanhãVaiSerQuem, alguns estão se perguntando. Mas essa pergunta não é difícil de responder: mais cedo ou mais tarde, outra morte vai acontecer.

A cidade é maravilhosa, um ótimo cartão postal, mas viver aqui tem sido surreal.

No sentido positivo? Infelizmente não mais, o carioca que antes só se divertia, hoje só sonha com paz.

 

*Foto: Wesley Santos/Folhapress/VEJA 

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