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Preconceito: uma realidade difícil de engolir

Infelizmente, as notícias de casos de racismo, homofobia, intolerância religiosa ou xenofobia vem se tornando cada vez mais comuns. Em pleno 2017, a sensação que temos é que o ser humano não só não evoluiu, como retrocedeu. Paramos de pensar no coletivo, para pensarmos apenas em nós e no que achamos ser certo, colocando nossas crenças e ideais acima de tudo – e de todos.

Um grande exemplo disso, é a situação que ocorreu esse final de semana em Charlottesville (Virgínia), nos Estados Unidos.  Uma marcha de supremacistas brancos gerou uma onda de violência na cidade. Os militantes carregavam símbolos nazistas e gritavam frases de ofensas à negros, judeus e gays. E qual o motivo de tudo isso? Eles queriam protestar contra a retirada de uma estátua do general confederado Robert E. Lee, que lutou contra a abolição da escravatura nos EUA. E enquanto o governador do estado, o democrata Terry McAuliffe, declarava estado de emergência, o presidente Donald Trump apenas escrevia em seu Twitter: “Nós devemos TODOS estar unidos e condenar tudo o que representa o ódio”. Ora, logo ele que antes mesmo de ser presidente já exalava preconceito contra muçulmanos e imigrantes? Pois é.

Mas não precisamos ir muito longe para encontrar situações absurdas. Apesar do povo brasileiro ser conhecido pelo seu carisma e hospitalidade, no início desse mês presenciamos um caso de xenofobia em Copacabana, considerada o maior cartão postal da cidade do Rio. Mohamed Ali, refugiado sírio e vendedor de esfirras e salgados no bairro, foi agredido verbalmente por causa do ponto de venda. O homem gritava coisas como “Saia do meu país!”, além de fazer referências ao terrorismo.  A situação chamou atenção dos cariocas, que logo trataram de mostrar para Mohamed que aquele agressor não os representava. Foi criado no Facebook o evento “Comer esfiha na barraca do Mohamed”. O “esfihaço” fez sucesso e centenas de pessoas compareceram nesse sábado, à barraca do refugiado sírio. Mas quando você pensa que a raça humana tem salvação, você descobre que a poucos metros da onde o “esfihaço” acontecia, um grupo protestava contra muçulmanos, carregando cartazes que diziam: “muçulmanos: assassinos, sequestradores, estupradores”. É, enquanto alguns tentam criar a luz no fim do túnel, outros insistem em apagá-la.

E o que podemos falar sobre o caso do transgênero internado em coma após um ataque homofóbico no Rio? Ou da Casa do Mago, famoso centro espírita localizado no Humaitá, que foi atacado duas vezes em menos de 3 dias? Pois é, a situação é séria e cada vez mais frequente. Talvez a impunidade faça as pessoas se sentirem livres para fazer e falar o que quiserem. Mas não podemos perder a esperança, pois os bons ainda são maioria. E como disse Nelson Mandela, “Sonho com o dia em que todos se levantarão e compreenderão que fomos feitos para vivermos como irmãos.”

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